29/05/2011

Photoshop

...tempos mudaram"
Juventude, no que você se transformou se não nessa massa de modelar?

algemados às necessidades fúteis, dolorosamente indignas, e dificilmente ideológicas; notas musicais deformadas por essa legião de crianças sem infância, quem os transformou nessa matéria alterada e transfigurada? Os tempos mudaram, mudaram os gostos, as necessidades, as vestes, as drogas, as gírias, as diversões, o tempo.
Na verdade, vocês mantém se intactos, as mesmas crianças ingênuas de outrora, que não enxergam nesse espelho o tumor incurável produzido em massa.
A ditadura, as censuras, o tropicalismo, o retardamento da produção do jornal no Brasil, o exílio de Goulart, e a negação da cadeira numero 1 da academia de letras ao Kubitschek, e hoje as conseqüências: uma nova geração acomodada; aceitemos tudo calados, afinal de contas somos feitos de conveniências e de gesso não endurecido. E os moldes para estes bonecos possuem com exatidão formas idênticas.

vida ou sobrevivência

Deverás incógnita essa comparação, o que de fato aqui fazemos?

Viver ou sobreviver..
O custo de "vida" nunca barateou, e eu nessas duas décadas e dois anos de permanência terrena nunca vi fácil acontecer algo muito desejado, vejo muitas pessoas em esforço incrível, passam anos lutando, buscando realizações de perspectivas nada ilusórias, alguns alcançam, mas são minorias; e o restante?
Permanecem tal qual mão de obra barata, disponibilizando-se ao indolor papel de ferramenta aos cofres de empresas gigantescas, crescidas na onipotência de sua manipulação, coadjuvantes de lucros cifrados que transformados em centavos em comparação ao valor total mal servem para os gastos de praxe usados para ir e vir.
Você, cidadão forte e trabalhador, dedicado, determinado, permanece intacto na vitrine do sistema de contratação do capitalismo desmedidamente desumano, enquanto isso, nos congressos, parlamentos, presidências, prefeituras, tribunais, cofres públicos, enquanto isso, escorre vosso sangue, e altera-se esse habitat, classificado natural, naturalmente fabricado por bel prazer dos sócios minoritários dessa herança, porém, algo está errado, os sócios minoritários possuem parte maior e mais proveitosa que a maioria.
Minoria com o máximo, maioria com o muito pouco.. pouco demais pra dizer-se vivo.
"Um dia os mortos vão despertar"

10/05/2011

veias sudoriparas'

Permaneço intacta em meus corredores particulares; inerte?
ás vezes sim, porém aos palhaços maquilando lágrimas restou a amidalite subordinada de Schindler, vesti os trapos de Bukowski, autorretratei tal qual Frida, e patrocinei a pneumônica crise de Augusto dos Anjos.

Renasci em meus erros, rastejei meus triunfos e jorrei o sangue que me foi caro.
Sua esquizofrenia me causa ânsias, perdi as volúpias admiradas de teu contexto revolucionário.

HIPÓCRITA!
Segure seu microfone emblemático, escreve suas letras asfixiosas, e torça para que o boomerang de seus caprichos não decapitem teu cérebro jaz abortado, eu nasci no carnaval passado, segurava a máscara de arlequim, e chorei a morte de Orfeu..

As mechas de Sansão ao chão, refletiram quão delicada é a força do leão, efêmera eu diria.
Daniel e eu dividimos essa cova, e agora, a tinta da bic esferográgica borrou meus últimos rabiscos.. escrever?
Tudo permanece no cerebelo psicodélico que em mim se aloja.
Eu sou o barro!

13/02/2011

8


No caminho' trazia um girassol, amarelo, imensamente lindo, vivo.. que morreu no caminho'.
e os olhos da garota de cabelos vermelhos brilhavam pelo menino sem cor.
menino sem cor onde está você " agora além de aqui dentro de mim"?
E na estação do metrô Sé nunca deixou despedaçar as pétalas dos seus sonhos, tampouco murchar a flor no seu coração. mas.. sempre há o mas.

Eu sou narradora da estória do conto da bigorna, tudo explodia como um orgasmo, interromperam-o, e restou o mel da abelha perdida.

As gotas da chuva molharam seu vestido verde folha, seus dreads cortaram-se como galhos de árvores raras; suas ilusões, amputadas como o braço do pintor.

restara as embalagens dos dadinhos da noite anterior, restara a bruxa que permanece a segurar seu frágil coração.

As esquinas da Paulista com a Consolação, as travessas da Augusta guardam um punhado de paixão, espaços apertados, brigas embaixo do chuveiro - Tá gelado. - Não, tá muito quente!.
Empurrões da cama, disputa pelo lado, espaço, acesso ao controle da televisão.


Escadas de emergência, elevador, essa pedaço do bolo tem um gosto especialmente promissor.


Segunda.. terça.. quarta.. quinta.. sexta.. sabado.. domingo.

Uma semana com mais dias, um dia com mais horas, uma hora com mais minutos, um minuto com mais segundos, um segundo com mais sabor.
Quebrou a escada rolante, vou subir a escada.. dá sua mão tô cansada.


Não precisa falar mais nada.
Ainda desejo que o tempo pare, e tudo volte a SER como sempre foi (com vontade de mover montanhas, com a sensação de que fiquei para trás, cheia de saudades.. e vontades)

02/02/2011

Quem vem primeiro?

Ouça bem, embora não ouça a voz, somos melhores juntos, porém vivemos sós.
Veja bem, a cor dos lençóis, é um rosa saudável, que se mancha da doença feroz.
Pense bem, as dores são o eco do que há de melhor em nós, tanto mata nossos sonhos, quanto mata nossas angústias e as ilusões que se hospedam em nós.


Saiba então, que o prefixo dessas veias mortais, são o sufixo da perda, são a verdade do ganho, são o sangue que escorre, imaginários amigos, o vazio que realmente se importa com nós.


Nunca fui plural, sou eu mesma a sós, não sentimentalize no grau do verbo, a dor que sinto é por causa de mais ninguém, além de nós.

Sodoma..

... eu sentia os ponteiros do relógio escorrendo sobre meus passos.
Era como se meus erros e inglórias nascessem na memória que esqueci, enxugava as lágrimas que nunca existiram e sucumbi nas velhas reclamações de sempre; precisava de ar, pra respirar, pra beber, pra sentir.
Liguei o ventilador que temia em não funcionar, do aparelho de som não saiam melodias, e da televisão imagens não havia.

Mas quem sou eu? se não a partícula menos necessária pra esse vagão desgovernado da vida, preciso dos sonhos, preciso do gosto doce dos beijos, preciso dos poemas mais agradáveis, mas ouvi d'algum lugar: - Não existem mais, não mais.

Qual a vantagem em ser quem sou? cuspes, vômitos, gangrena, necrose, anestesia sem efeito, pílulas imagináveis..?
os ponteiros persistem a escorrer, pretendo jogar as velhas peças de roupas fora, pretendo quebrar os cristais, a redoma de vidro, quebrar essa granada que tem no peito.. eu pretendo viver como mereço : morta.



[compreendam, não passa de uma visão literária e afogada no meu lirismo choupo e vilipendiado, quase boneco de ventriloco sem ventriloco]

18/01/2011