03/04/2014

Febril para sempre

Eu reclamo da altura do cabelo e ele diz que gosta assim; eu questiono suas amizades femininas e ele sorri zombando do meu ciume; eu brigo quando ele bebe demais e ele faz bico; eu fico chateada com um simples não "curtir" dele nos meus posts de redes sociais e ele acha que é exagero; eu peço pra ele falar que me ama toda hora e ele fala; eu pergunto sobre seu dia e sobre quantas mulheres mais interessantes que eu podem ter cruzado seu caminho; eu me mordo de ciúmes de imagina-lo sozinho em um bar ou balada; mas ele quer tanto ser livre, e também me quer pra ele, e eu não me importo desde que ele seja meu; desde que me beije, me lamba, me morda, me agarre e me coma.

Ele acha que sou controladora e eu tenho certeza disso. Ele acha que todos os homens do mundo me desejam, ele exagera. Ele pensa que quero dar para outros, ele se engana. Ele acredita mas desacredita no que eu sinto, se ele soubesse o tamanho disso tudo, dormiria tranquilamente todas as noites da sua vida e não teria mais pesadelos em que o traio.

E eu suspiro só de lembrar dele comigo, eu sorrio de recordar seus elogios, eu me sinto contemplada por ele ter me escolhido.

Eu reclamo de quase tudo, mas a verdade é que nunca vivi amor mais perfeito que esse, sobre as discussões, deve ser importante um pouco de birra pra não cair na rotina dos dias muito felizes, dai se num dia brigamos, no seguinte eu vou me sentir a mulher mais feliz do mundo ao vê-lo sorrindo, ao sentir o volume na calça e o calor do seu tesão se esfregando em mim.

Ele faz voz de bebê até pra pedir para eu chupa-lo, ele já chorou de ciúmes bobo, ele reclama "sutilmente" das minhas roupas provocantes, e sei que tira meu batom vermelho só pra eu não chamar mais atenção. Ele pira nas minhas calcinhas super pequenas, diz que meu cabelo é moldura do nosso sexo, me gosta por cima com cara de safada, diz que quer me chupar mais vezes e reclama da minha vergonha inexplicável nesse caso.

Ele não bota fé que me faz sentir prazer, mas eu gozo sempre com ele, só com ele, e isso é raro, as mulheres que o digam.

Eu gosto do sabor do pau dele e até dos pelos que engulo sem querer, eu gosto dos seus ombros, das suas mãos invasivas, das suas cuecas samba canção, do seu perfume, da sua sujeira, do seu suor, dos seus medos, complexos, fragilidades.

Ele, se tivesse noção da proporção do meu desejo, fugiria daqui comigo, pra um lugar onde viveríamos um para o outro, só. Mas ele tem planos, eu também, só que meus planos são com ele. Eu escreveria um livro reportagem sobre nós dois, numa pegada gonzo, com direito a muito sexo e alcoolismo. Amores certinhos são um porre. Eu quero ser uma garota de programa para ele, daquelas que manja das pegadas mais podres e faz tudo pelo prazer de um único homem, seria ele.

Mas também quero ser "Amélia", daquelas que leva café na cama, busca no trabalho de surpresa e leva para jantar e depois ao motel; daquelas que engoma as camisas, faz massagens dos pés, prepara pratos especiais para agrada-lo, mantém a casa limpa e perfumada e se mantém sempre depilada com lingeries sensuais e camisolas transparentes, e que ele ao chegar em casa me encontre nua na nossa cama e ganhe um boquete surpresa com direito a gozo dentro da minha boca.

Ahhh, eu quero que ele viva um filme, daqueles com sexo delirante e amor com sabor de fruta mordida, e que ele chore no meu ombro e eu o consiga fazer sorrir depois do desabafo, e que, como hoje, ele me abrace no fim de tudo e proclame "você é maravilhosa, minha mulher".

16/03/2014

Amor e outras drogas

Naquela tarde ela planejava dar para outro qualquer, num ato de remorso reencontrou o ex namorado, que jurava não amar mais, no quarto daquele motel a reconciliação viria em olhares à meia luz e um cochilo em conchinha, e depois daquele sábado eles jamais seriam as mesmas pessoas.

Toda a porra gozada em outros paus perdeu a graça, e o sabor do ex amor alimentava sua alma de desejo e mais saudade.

Todo o gozo anterior teve fim, e os planos de uma vida boemia, banhada a maconha, cerveja e esperma foram abortados no instante que o olhar de desprotegido mirava sua falsa demonstração de frieza.

Ela repensou cada ato sexual e se convenceu que nunca gozou de verdade e como diz o texto no caderno que ele deposita suas poesias "...pois não é de carne o nosso gozo".

Quando todo dia é começo ela sabe que tudo que escreveu em "Não é de Morais mas é meu" se materializa e espiritualiza nos dias gentilmente moldados pelo sábio tempo.



Refazenda

São 5:47 de um domingo - ela levanta de sua cama para ir ao banheiro - na volta vê o computador e decide atualizar seu blog - liga a máquina - matuta um bocado sobre o que escrever - escreve o título "O cheiro do ralo" - primeiro parágrafo "nem cheiro de esgoto, nem..." - ela apaga o trecho e o título - pensa no sábado agradável, nos beijos intensos, na hidromassagem, nas palavras espontaneamente ouvidas - pensa no olhar de criança indefesa que há nele - entende seus medos, complexos, dúvidas - suspira - sorri - agradece pela paz que contempla teu espírito e ilumina sua existência - sente medo, mas passa - sente insegurança, mas passa - sente amor, mas este não há de passar.




13/02/2014

Adeus

Uma reza, um feitiço ou um amor. Só assim para você me esquecer e deixar eu te esquecer.

12/02/2014

Exorcizando meus demônios

Aspirina e um gole de água, de uma vez pra evitar a náusea'
Garganta seca e olhar perdido no nada.

O vento levemente gelado anestesia o escuro do dia que parece noite, e é.

No fone algumas notas sussurram conselhos clichês, muito úteis.

Lembranças são o suficiente pra congestionar a mente. Um amontoado de vontades bloqueadas pela preguiça e pelo medo.
Algemas imaginárias oprimem e libertam na mesma proporção, o preço de ser é temer ser o que é.

O moleque no farol bate no vidro do veículo estacionado ante a faixa durante o sinal vermelho, oferece limpeza e óculos*.

No interior do veículo, o motorista responde mensagens desesperadamente no celular, se irrita e faz um sinal grosseiro para o menino, no outro lado da rua, uma motocicleta, piloto e garupa batem no vidro com força e anunciam assalto, o motorista despenca em suas emoções.

A ROCAM se aproxima e a troca de tiros tem início ensurdecendo o barulho no silêncio dos tiros, o moleque é tomado por um sopetão da vida que nunca pôde viver, e num misto de alívio com frustração se deixa embriagar ao traçar passos de dança clássica com a morte.
A mente humana vive este cenário todos os dias.

Na fome, na tristeza, no individualismo, na perda, na humilhação, no egoismo.

Todos possuímos um "veículo" que nos guia, muita vezes de forma errada.
Um meio de comunicação que nos sufoca e desespera.
Um assaltante que rouba nossa paz ou nossa guerra no momento mais inoportuno.
O mocinho que tenta nos proteger e por fim rouba a essência da nossa inocência matando a criança que existe lá dentro, e que antes da interrupção brusca, corre faróis em troca de trocados e migalhas.




09/02/2014

Rememorável azia que invade o espaço, o acesso à anestesia e o fadado ao fracasso, ele esquece da perda e lamenta com pesar, se invade de certeza com o verbo esperar.

É de medo que se veste, e de fome se alimenta, desespero que conserva sua fé e sua certeza.


Anáfase, Metáfase e telófase


Guarnições de sofrimento apoderam-se do espaço
Celulose do tormento, a metástase do abraço
Sugador e instrumentais, assepsia da ilusão
Seres irracionais apreendem a solidão

No acesso, anfetamina, na partilha, miséria, no pão de cada dia a fome regenera.

Foi saindo como quem nunca soube entrar, foi agindo como quem não tem ciência de disparatar.
Lacrimejando o dia a dia, enxugando a chuva no pé, no galho da guerra fria, arma de fogo é cafuné.

semsentido
semsentido
semsentido
semsentido
semsentido
semsentido

Sendo sem ser enganação, atingiste o orgasmo através do não tesão.

...e o amor foi amputado na gélida artéria, que houveste em descompasso, moradores desta terra. 

Disparaste o fatídico projétil, honorário?
Vislumbrando a sorrateira conquista do indumentário.

Malabarista de braço amputado, médico em abstinência, fratura no funcionário que exerce clarividência. Eufemismo, cacofonia, licença poética, guerra santa, chinês de Pequi, saint exupéry, beatnik, data contemporânea.

sem sentido o não sentir?